Sinopse
Tomo I e II
O presente volume da História Geral do Brasil começa pela definição e origem da palavra Brasil, por considerações relativas à fauna e flora do nosso País e pela nomenclatura das diversas tribos autóctones, sua índole, costumes e língua, com estudo demorado sobre a prática da antropofagia e as superstições entre elas. Amplia-se depois a partir da chegada de Cabral – não descuidando as versões castelhanas de contato com a terra, que até desenvolvem – narrando os esforços ingentes das primeiras lutas com os invasores e piratas franceses, a fixação de Martim Afonso de Sousa no planalto de Piratininga, a introdução da escravatura, a vida e morte de Mem de Sá, etc.
São perto de quinhentas páginas de profundo e colorido estudo da pátria brasileira, na sua grandiosidade sobre-humana: o espanto dos europeus perante uma terra desconhecida, a epopéia de uma raça que ultrapassou a si própria ao moldar, desbravar, defender e ampliar à custa do seu melhor sangue, um país de enorme extensão.
Os senhores de engenho levavam vida faustosa, vivendo não à lei espartana do Reino, mas como senhores orientais a quem dessem um mínimo de tempo para usufruir tão grande riqueza. Então – em 1576 – já se havia escrito a primeira História do Brasil, devida a Pero de Magalhães Gandavo, grande amigo de Camões, e Gabriel Soares de Sousa escrevera um notável estudo sobre a geografia, a fauna e a flora brasileiras; Sergipe, Rio Grande do Norte, Minas e Ceará começavam a ser sistematicamente colonizados; os portugueses, assoberbados pela hostilidade indígena, têm ainda de fazer frente às investidas de piratas ingleses que, ávidos de rapina, assaltam e bombardeiam as povoações costeiras, matando e pilhando. Por essa altura, Portugal, submergido na escuridão do domínio espanhol, assiste impotente à ocupação do Norte e do Nordeste por franceses e holandeses, aqueles fixados no Maranhão e comandados por La Ravardière, e estes, em Pernambuco, sob a chefia de Maurício de Nassau.
Depois há a epopéia, escrita a sangue, da perda e recuperação da Bahia onde se pode delimitar o começo do conceito de brasilidade por parte dos habitantes natos, que expulsaram o invasor com o ímpeto que só a legitimidade empresta. Foi essa a época mais tempestuosa da nossa História: conhecidas as incontáveis riquezas do Brasil, e aproveitando-se a oportunidade de Portugal estar compulsoriamente aglutinado à Espanha e, portanto, sem possibilidade de manter o seu direito de posse, um sem-número de aventureiros saqueiam e se apropriam de quase todo o Nordeste até a Bahia.
Aqui Varnhagen tem páginas magistrais sobre esse período da História pátria, analisando o valor da colonização holandesa no Nordeste, que, sob a égide de Nassau, conheceu períodos de relativo brilhantismo e prosperidade. Mas as exigências holandesas aos senhores de engenho e os tributos lançados à população eram cada vez maiores… O Brasil haveria de se revoltar, expulsando os invasores definitivamente.