Sinopse
Genoma e Dignidade Humana. Porquê o genoma, porqué a dignidade humana? A primeira questão encontra a sua resposta nos múltiplos benefícios que a análise do genoma trará para a espécie humana. Ou seja, no início do Programa Genoma Humano, durante os anos noventa, a humanidade apercebeu-se das enormes potencialidades deste projecto a nível do diagnóstico e terapêutica de inúmeras doenças genéticas raras mas, também, de muitas outras afecções comuns como as doenças cardiovasculares ou as neoplasias malignas. Potencial, também no atinente à capacidade de predição do nosso futuro biológico, a longo prazo – como o rastreio de susceptibilidades ou de interferir de um modo programado na constituição genética de plantas e animais. Problemas como a fome no terceiro mundo, ou a cura da infecção pelo HIV encontraram na nova genética a esperança que tinha já desaparecido em toda a humanidade.
Áreas científicas adjacentes à genética, tais como a medicina da reprodução, e a possibilidade de efectuar com rigor o diagnóstico genético pré-implantação, o diagnóstico genético pré-natal ou o diagnóstico genético pós-natal, a possibilidade de se proceder à clonagem de embriões humanos pelos métodos de separação de blastómeros e de transferência nuclear, ou a tecnologia associada às células estaminais, abrem novas possibilidades de diagnosticar o presente, predizer o futuro, e transformar aquilo que para muitos é considerado um património comum de toda a humanidade.
E, este património comum da humanidade tem como quadro de referência a dignidade humana como imperativo ético fundamental. Este conceito tem pelo menos duas aplicações concretas: a existência de bens não comercializáveis como os genes humanos e o princípio da igual dignidade de todos os seres humanos. Pode mesmo afirmar-se que a dignidade humana se impõe a cada um de nós.